" Todos os que vivemos na época atual, somos
migalhas da mesa revolucionária do século passado e ainda estes resíduos
foram mastigados uma e outra vez. Estas ideias do passado requerem nova
substância, nova interpretação. A Liberdade, a Igualdade
e a Fraternidade não são as mesmas coisas que foram nos dias da
guilhotina de bendita recordação. É o que os políticos não compreenderam
e, portanto, eu os desprezo. A gente só pede revolucionários especiais,
revolucionários no mundo exterior, na esfera da política. Mas tudo são
aclamações sem sentido. O que na realidade é necessário é uma revolução
no espírito do homem."
"Pensamentos dispersos, embora sistematicamente
ordenados, sobre diversos temas".
"A arte deve antes de tudo e em primeiro lugar embelezar a vida, portanto, fazer com que nós próprios nos tornemos suportáveis e, se possível, agradáveis uns aos outros: com essa tarefa em vista, ela nos modera e nos refreia, cria formas de trato, vincula aos não educados as leis de convivência, de limpeza, de cortesia, de falar, de calar a tempo certo." Nietzsche
Amadeu Amaral
" Os poetas gozam, decididamente, de um conceito bem pouco favorável nessa bela e forte sociedade brasileira. Às vezes, às muitas desventuras que os acabrunham junta-se mais esta: o serem uns indivíduos suspeitos e o viverem premiados pelo desprezo honesto dos que se ocupam de coisas sérias.
O povo emprestou à palavra 'poeta' um significado pejorativo bem próximo do que assume na gíria o vocábulo 'tipo'. Tipo quer dizer 'pobre diabo', e 'poeta' diz pouco mais ou menos que isso. 'Poeta' serve também de vocábulo depreciativo como 'coisa'. 'Ó seu poeta!' é uma exclamação equivalente desta outra: 'Ó seu coisa!'
[...] Mais admiráveis, mais nobres e mais dignos. A poesia é a florescência radiosa e divina da espiritualidade. É a mais fina e melindrosa expressão da vida intelectual, não direi a mais alta, porém, com certeza, a mais bela. E, com ser tão fina e tão melindrosa, é também uma força.
Tem a sua razão de ser na sua própria existência de produto humano. É vária, profunda, contraditória e enigmática como a própria vida. Resume em si todos os encantos, desde os encantos mais sutis e fugitivos dos sentidos até os encantos ásperos e sangrentos da luta. É voo de pássaro e é relâmpago, é luar e é oceano, é suspiro e é trovão, é aragem perfumosa e é vendaval destruidor. Derrama em torno de si as mais suaves consolações, bálsamos de rosas e de poeira de estrelas; ampara os oprimidos, flagela os tiranos, embala as criancinhas no berço, rasga no prosaísmo caliginoso da existência luminosas abertas para o ideal. É ao fremente ressoar da sua lira eterna que as gerações se encaminham para o Canaã das esperanças humanas. É quando se desfazem e morrem as nações, quando tudo que as engrandecia e orgulhava desapareceu para sempre, é ainda ela, a excelsa Poesia, que recolhe e guarda a alma do povo extinto na âmbula dourada dos seus poemas.
Poetas, amai com religioso fervor a vossa arte, a misteriosa, a augusta, a criadora e benfazeja Poesia! Entoai-lhe, com a unção de que sois capazes, o Salve-Rainha do vosso culto afetuoso e grave."
O povo emprestou à palavra 'poeta' um significado pejorativo bem próximo do que assume na gíria o vocábulo 'tipo'. Tipo quer dizer 'pobre diabo', e 'poeta' diz pouco mais ou menos que isso. 'Poeta' serve também de vocábulo depreciativo como 'coisa'. 'Ó seu poeta!' é uma exclamação equivalente desta outra: 'Ó seu coisa!'
[...] Mais admiráveis, mais nobres e mais dignos. A poesia é a florescência radiosa e divina da espiritualidade. É a mais fina e melindrosa expressão da vida intelectual, não direi a mais alta, porém, com certeza, a mais bela. E, com ser tão fina e tão melindrosa, é também uma força.
Tem a sua razão de ser na sua própria existência de produto humano. É vária, profunda, contraditória e enigmática como a própria vida. Resume em si todos os encantos, desde os encantos mais sutis e fugitivos dos sentidos até os encantos ásperos e sangrentos da luta. É voo de pássaro e é relâmpago, é luar e é oceano, é suspiro e é trovão, é aragem perfumosa e é vendaval destruidor. Derrama em torno de si as mais suaves consolações, bálsamos de rosas e de poeira de estrelas; ampara os oprimidos, flagela os tiranos, embala as criancinhas no berço, rasga no prosaísmo caliginoso da existência luminosas abertas para o ideal. É ao fremente ressoar da sua lira eterna que as gerações se encaminham para o Canaã das esperanças humanas. É quando se desfazem e morrem as nações, quando tudo que as engrandecia e orgulhava desapareceu para sempre, é ainda ela, a excelsa Poesia, que recolhe e guarda a alma do povo extinto na âmbula dourada dos seus poemas.
Poetas, amai com religioso fervor a vossa arte, a misteriosa, a augusta, a criadora e benfazeja Poesia! Entoai-lhe, com a unção de que sois capazes, o Salve-Rainha do vosso culto afetuoso e grave."
Amadeu Amaral, 1902, em O Elogio da Mediocridade
Franz Kafka
"Quando me comporto como um ser humano durante umas horas, como fiz hoje com Max e mais tarde com Baum, fico cheio de orgulho antes de ir para a cama."
Franz Kafka
Gilles Deleuze
"Não há poder nas palavras, mas somente
palavras a serviço do poder: a linguagem não é informação ou
comunicação, mas precisão, ordenança e comando. Tu ficarás à margem. E o
central que faz a margem."
Gilles Deleuze
"O
que é a maldade? É impedir alguém de fazer o que ele pode, é impedir
que este alguém efetue a sua potência. Portanto, não há potência ruim,
há poderes maus. E talvez todo poder seja mau por natureza. Não, talvez
seja muito fácil dizer isso. Mas mostra bem a ideia da confusão entre
poder e potência é arrasadora, porque o poder sempre separa as pessoas
que lhe estão submissas, separa-as do que elas
podem fazer. Tanto que foi deste ponto que partiu Spinoza: 'A tristeza
está ligada aos padres, aos tiranos...' [...] Por aí, existe uma
história do pensamento. E o que é este poder de padre e em que está
ligado à tristeza? Segundo Nietzsche, o padre se define desta forma: ele
inventou a ideia de que os homens estão num estado de dívida infinita."
Os últimos dias de Nietzsche
Nietzsche
Após o último golpe, em Torino, em janeiro de 1889 , sob a forma de apoplexia, Nietzsche foi levado para um asilo, mas logo sua mãe o tomou para viver sob seus cuidados, viveu com ela até ela morrer em 1897, quando então foi levado para Weimar para passar os últimos anos de vida com a irmã, com a paz e a tranquilidade que nunca tivera quando permaneceu são. Certa vez, pegou a irmã chorando enquanto olhava para ele, e não entendeu o motivo das lágrimas: " Lisbeth", perguntou ele, " por que choras? Não somos felizes ?" Em certa ocasião, ouviu falar em livros; seu rosto pálido animou-se: " eu também escrevi uns bons livros" — e o momento lúcido passou.
Morreu em 1900. Raramente um homem pagou um preço tão alto pelo gênio.
Resumido de Will Durant, A História da Filosofia
Emil Cioran
"Quando ouvimos Bach, vemos Deus nascer... Depois de um oratório, de uma cantata, de uma paixão, Deus tem que existir. E pensar que tantos teólogos e filósofos desperdiçaram noites e dias procurando provas da existência de Deus, esquecendo-se da única!".
Emil Cioran
Sêneca
"A companhia da multidão é nociva: há sempre alguém que nos ensina a gostar de um vício, ou que, sem que percebamos, transmite-nos esse vício por completo ou em parte. Quanto mais numerosas forem as pessoas com as quais convivemos, maior é o perigo. "
Sêneca
Imagem: A morte de Sêneca, de Manuel Dominguez Sanchez (1871)
Horace Walpole
"
"Este mundo é uma comédia para os que pensam, uma tragédia para os que sentem - por isso Demócrito ria e Heráclito chorava "
Horace Walpole
Imagem: Auto-retrato (c.1629) de Rembrandt intitulado O Jovem Rembrandt como Demócrito, o Filósofo que Ri. & Heráclito por Peter Paul Rubens (c. 1635-1637)
"Este mundo é uma comédia para os que pensam, uma tragédia para os que sentem - por isso Demócrito ria e Heráclito chorava "
Horace Walpole
Imagem: Auto-retrato (c.1629) de Rembrandt intitulado O Jovem Rembrandt como Demócrito, o Filósofo que Ri. & Heráclito por Peter Paul Rubens (c. 1635-1637)
Padre Antônio Vieira
"A dor moderada solta as lágrimas, a grande as enxuga, as congela e as seca. Dor que pode sair pelos olhos não é grande dor; por isso não chorava Demócrito, e, como era pequena demonstração da sua dor, não só chorar com lágrimas, mas ainda sem elas, para declarar-se com o sinal maior, sempre se ria. Nada digo que seja contrário aos princípios da verdadeira filosofia e da experiência. A mesma causa, quando é moderada e quando é excessiva produz efeitos contrários: a luz moderada faz ver, a excessiva cegar; a dor que não é excessiva rompe em vozes, a excessiva emudece. Desta sorte, a tristeza, se é moderada, faz chorar, se é excessiva, pode fazer rir; no seu contrário temos o exemplo: a alegria excessiva faz chorar, e não só destila as lágrimas dos corações delicados e brandos, mas ainda dos fortes e duros. Quando Minúcio, livre do cativeiro, apareceu ao seu exército, que era o romano: In laetitiam tota castra effusa sunt, ut prae gaudio militibus omnibus lacrymae manarent¹ - diz Plutarco. Pois, se a excessiva alegria é causa do pranto, a excessiva tristeza, por que não será causa do riso? A ironia tem contrária significação do que soa: o riso de Demócrito era ironia do pranto: ria, mas ironicamente, porque o seu riso era nascido de tristeza, e também a significava; eram lágrimas transformadas em riso por metamorfoses da dor; era riso, mas com lágrimas, como aquele de quem disse Estácio: Lacrymosos impia risus audiit². Na guerra morrem muitos soldados rindo, e a razão é, diz Aristóteles porque são feridos no diafragma: não ria Demócrito como contente: ria como ferido; recebia dentro do peito todos os golpes do mundo, e tão mal ferido ria."
Padre Antônio Vieira, Cartas
[1] Todo o exército se alegrou tanto, que vieram lágrimas aos olhos dos soldados (Plutarc. in Fab.).
[2] A ímpia (Eurídice) ouviu teu riso mesclado de lágrimas (Estácio, Tebaid., liv. VI, 165). Imagem: Padre
Antônio Vieira, desenho de Candido Portinari, 1944.
Francis Bacon
"E
então, talvez, eu tenha um sentimento de mortalidade todo o tempo. Mas
você está ciente da morte da mesma forma como está ciente da vida. Você
está ciente da morte como se fosse jogar uma moeda - cara e coroa, vida e
morte. E eu estou bem ciente disso tudo sobre as pessoas, e sobre mim
também. Eu sempre me surpreendo quando eu acordo pela manhã."
Francis Bacon
Carmina Burana-"In Trutina"- Carl Orff (Tradução)
Na balança os sentimentos oscilam
Um contra o outro;
Amor lascivo e pudor.
Mas escolho o que vejo,
E coloco meu pescoço sob o jugo;
Ao jogo suave todavia me submeto.
Nietzsche
" Não sei fazer diferença entre lágrimas e música, não sei imaginar a felicidade, o sul, sem um frêmito de temor.Recostado na ponte, uma bela tarde,
Na noite escura, refletia.
Ao longe, uma canção;
No espelho das águas pululavam
Gotas de ouro reluzentes,
Gôndolas, luzes e músicas -
Ebriamente balouçavam no crepúsculo...
Diante disso, minha alma, como lira
Tocada por mão invisível, cantava
Em segredo, para si
Uma canção de gondoleiro,
Estremecendo de confusa ventura.
— Alguém escuta?..."
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